Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, o mundo despertou para uma notícia que ultrapassa a análise geopolítica tradicional. Os Estados Unidos da América realizaram uma intervenção militar direta na Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação classificada como de “grande escala”. O então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país “vai governar temporariamente a Venezuela”, até que uma transição de poder aconteça. Para alguns, isso é política externa. Para outros, é apenas mais uma crise na América Latina. Para os que estudam a profecia bíblica, especialmente à luz de Apocalipse 13, este evento é um marco escatológico em curso. A besta está falando. E não com doçura. Está falando como dragão. E agora, também, com voz de canhão.
Apocalipse 13 apresenta duas bestas. A primeira sobe do mar, cheia de autoridade, blasfêmia e poder sobre os santos. A segunda sobe da terra, com aparência de cordeiro, mas fala como dragão. Segundo a interpretação historicista mantida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia desde o século XIX, a primeira besta representa o papado, e a segunda, os Estados Unidos da América. Ambas desempenham papéis centrais no drama escatológico do tempo do fim, especialmente no processo de perseguição àqueles que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus (Ap 14:12).
O surgimento da segunda besta é descrito com grande detalhe. Diferente da primeira, que emerge do mar, símbolo de povos e multidões (Ap 17:15), essa surge da terra, ou seja, de uma região menos habitada, menos influenciada pelos conflitos do Velho Mundo. Seus dois chifres como de cordeiro apontam para seus princípios fundadores: liberdade religiosa e civil, características notáveis dos Estados Unidos. Mas o texto segue dizendo que essa besta “fala como dragão”. Ou seja, embora comece como defensora da liberdade, ela se transforma em instrumento de coerção, dominação e perseguição, tal como o dragão de Apocalipse 12, símbolo de Satanás.
É nesse contexto que a ação militar dos EUA em solo venezuelano ganha contornos proféticos. A captura de um presidente estrangeiro, sem aprovação internacional, e a afirmação explícita de que os EUA governarão temporariamente outro país soberano são mais do que ações políticas: são demonstrações de autoridade imperial, de capacidade de legislar sobre os outros, de se colocar no lugar do juízo. E isso está diretamente relacionado ao versículo 12: “E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença”. O verbo grego usado aqui (poieî) indica ação contínua, não um evento isolado. Ou seja, trata-se de um padrão profético em desenvolvimento.
O papado, historicamente, surgiu da fusão entre o poder religioso e o vácuo político deixado pelo colapso do Império Romano. O Édito de Justiniano, emitido em 533 d.C., e a derrota final dos ostrogodos em 538, selaram o início dos 1260 anos de supremacia papal, um período profético mencionado em Daniel e Apocalipse. O papado recebeu autoridade religiosa e civil, perseguiu dissidentes e tentou impor sua visão de adoração ao mundo. Agora, os Estados Unidos, representados pela segunda besta, repetem o modelo: tomam o lugar de juízes do mundo, impondo sua vontade, não mais com cruzadas religiosas, mas com drones, comandos especiais e sanções internacionais.
E há mais. Poucos meses antes da ação militar na Venezuela, o mundo assistiu à eleição de um Papa norte-americano: Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost, natural de Chicago. Isso, por si só, já constitui uma simbologia profética única. O líder da primeira besta agora possui a nacionalidade da segunda. A besta do mar e a besta da terra estão convergindo. Não mais apenas aliadas. Mas quase fundições de identidade e missão. Roma e Washington não são apenas parcerias. São agora uma só estrutura em dois braços.
Ellen G. White, no capítulo 36 de O Grande Conflito, já antecipava esse movimento: “Quando o protestantismo estender a mão para apanhar a mão do poder romano […] saberemos que o tempo chegou”. Com um Papa americano e um presidente americano assumindo controle temporário de uma nação estrangeira, vemos essa aliança avançando do plano simbólico para o plano institucional, prático e global.
A imagem da besta, ainda segundo Apocalipse 13, será uma réplica do sistema papal medieval: união entre Igreja e Estado, coerção da consciência, perseguição religiosa e imposição de um falso sistema de adoração. A marca da besta, que será imposta a todos, grandes e pequenos, ricos e pobres, consiste na rejeição da lei de Deus, especialmente o sábado do sétimo dia, e na exaltação de uma autoridade humana (representada pelo domingo). Essa imposição ainda não ocorreu. Mas o cenário está sendo montado. Os ensaios já estão em andamento.
A ação dos Estados Unidos na Venezuela representa mais um movimento profético. Não o cumprimento final, mas uma etapa. Um degrau. Um eco antecipado. Uma manifestação do espírito do dragão, não por causa do regime que foi deposto, mas pelo princípio da coerção imposta sem legitimidade universal, ainda que aplicada contra sistemas que também agem em oposição à justiça. O espírito do dragão é aquele que age contra a liberdade de consciência, que legisla pela força, que subjuga pela intimidação. É o mesmo espírito que falou através de Roma no passado e que falará com ainda mais intensidade por meio dos Estados Unidos no tempo do fim.
Portanto, o povo de Deus precisa estar atento. Não é hora de silêncio. Não é tempo de indiferença. É tempo de vigilância, oração e fidelidade. Os que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus (Ap 14:12) são chamados não apenas a resistir, mas a anunciar as mensagens dos três anjos, a advertir o mundo de que a hora do juízo chegou, e que a adoração verdadeira não pode ser imposta, ela nasce da liberdade, da verdade e do amor.
O dragão encontrou sua voz. E ela não é mais apenas simbólica. Ela agora soa como comando militar. Como notícia global. Como fato concreto. A besta já fala. Que o remanescente também fale, com coragem, graça, santidade e convicção.
Referências:
- Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS)
- Novum Testamentum Graece Nestle-Aland 28ª edição (NTG28)
- White, Ellen G. O Grande Conflito, Ellen G. White, capítulos 35-38
- Bacchiocchi, Samuele. From Sabbath to Sunday. Biblical Perspectives, 1977.
- Maxwell, C. Mervyn. God Cares: Vol. 2. Pacific Press, 1985.
- Arquivos do Vaticano: Codex Justinianus, edições diplomáticas.
- Documentos históricos da Constituição dos Estados Unidos e das Leis Dominicais estaduais dos EUA (Sunday Laws)
- CBS News, Reuters e outros veículos (3 de janeiro de 2026)

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