Nas manhãs de segunda-feira, enquanto a maioria dos colegas pastores está se preparando para visitar lares ou planejar sermões, o pastor escolar atravessa os portões de uma escola com a Bíblia na mão e o coração cheio de propósitos. Ele entra em um ambiente onde os bancos são carteiras, os membros têm mochilas nas costas e os apelos são feitos entre sons de sinal e risos no recreio. O que muitos ainda não compreenderam é que a escola é um campo missionário e o capelão é um pastor de tempo integral.
Uma vocação que não usa paletó
Durante muito tempo, a imagem idealizada do ministério esteve vinculada ao púlpito tradicional, à pregação no sábado e à administração eclesiástica. No entanto, o chamado pastoral ultrapassa o formato litúrgico e abraça contextos plurais. A função do pastor escolar não é um “meio-termo” para quem está em transição ministerial. Ao contrário, é um exercício pleno da vocação profética em uma geração que precisa mais de presença do que de programas.
Em uma sala de aula, ao lado de um aluno em crise existencial, o pastor escolar não realiza um “trabalho auxiliar”, mas desempenha o papel de mediador da graça de Deus. Na reunião com professores, sua fala devocional não é mero protocolo, mas a presença do Reino em meio a educadores cansados. Seu ministério não é periférico: é essencial.
A face invisível do cuidado pastoral
É possível que o ministério de capelania escolar seja, muitas vezes, invisível aos olhos da igreja. Ele não batiza a cada sábado, não prega em todas as campanhas públicas e nem sempre é lembrado nos relatórios evangelísticos. No entanto, poucos ministérios permitem uma caminhada espiritual tão próxima de crianças, adolescentes, famílias e profissionais quanto o do pastor escolar.
Ellen G. White declarou: “Ao professor é confiada importantíssima obra – obra para a qual ele não deve entrar sem cuidadoso e completo preparo. Cumpre-lhe sentir a santidade de sua vocação, e a ela entregar-se com dedicação e zelo. Quanto mais possua o mestre de verdadeiro conhecimento, tanto melhor efetuará o trabalho. A sala de aulas não é lugar para obra superficial. Professor algum que se satisfaça com um conhecimento de superfície atingirá alto grau de eficiência.”[1]
Se tal responsabilidade recai sobre os professores, quanto mais sobre aqueles que pastoreiam esses professores e seus alunos? O pastor escolar precisa ser reconhecido não apenas como um “líder espiritual da escola”, mas como um verdadeiro pastor da Igreja, lotado no campo educacional.
Uma igreja com lousa e recreio
A teologia bíblica do pastoreio não se limita ao rebanho congregacional, mas se expande onde houver ovelhas. Jesus caminhou entre pescadores,[2] cobradores de impostos,[3] crianças[4] e mestres da Lei. Ele não escolheu uma sinagoga[5] para fundar Sua igreja, mas um discipulado itinerante.[6] Assim também o pastor escolar atua: sem altar fixo, mas com o coração firmado na missão.
No colégio, o pastor escolar prega sermões todos os dias, mesmo que não suba ao púlpito. Seu sermão é vivido no cuidado individualizado, no atendimento silencioso, na visita inesperada à sala de aula. É nesse ministério silencioso que vidas são transformadas, decisões são amadurecidas e vocações despertadas.
Desafios que moldam e não que impedem
Pastorear uma escola é também lidar com realidades complexas: indisciplina, famílias desestruturadas, pressão acadêmica, carência emocional, relativismo moral. Em meio a isso, o pastor escolar atua como ponte entre a fé e o saber, entre o lar e o céu. Sua atuação exige preparo bíblico, equilíbrio emocional e sensibilidade pedagógica. Mas acima de tudo, exige consagração.
A experiência do pastor escolar molda profundamente sua visão do ministério. É impossível caminhar com os pequenos e não ser tocado por suas dores e esperanças. A escola é o lugar onde se semeia o evangelho na fase mais fértil da vida, e isso é sagrado.
Um ministério pleno e não um “Plano B”
A Igreja Adventista do Sétimo Dia possui uma das maiores redes confessionais de educação cristã do mundo. Cada escola é uma igreja viva. Cada sala de aula, uma oportunidade de pregação. Cada aluno, um missionário em potencial. E cada pastor escolar, um enviado de Deus ao coração da nova geração.
Não há nada “menor” no ministério do pastor escolar. Há, sim, um chamado legítimo e urgente para resgatar, afirmar e exaltar a vocação pastoral dentro da escola. Aquele que pastoreia no colégio não está em desvio de rota: está exatamente onde Deus o quer.
[1] Ellen G. White, Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 229.
[2] Mt 4:18–22; Mc 1:16-20. Lc 5:1-11.
[3] Mt 9:9-13; Mc 2:13-17; Lc 5:27-32, 19:1-10.
[4] Mt 19:13-15; Mc 10:13-16; Lc 18:15-17.
[5] Mt 22:34-46; Lc 5:17, 11:45-52; Jo 3:1-10.
[6] Mt 8:20, 9:35, 16:18; Mc 3:13-15, 6:7-13; Lc 6:12-16, 8:1, 9:58, 10:1-9. Jesus ensinou também em sinagogas, mas a formação da Sua comunidade discipular e a expansão da missão ocorreram em ritmo itinerante, por casas, vilas e caminhos. As passagens anteriores permitem essa nuance com precisão.

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