The Last of Us: o evangelho invertido de Satanás*

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20).

Vivemos dias em que a arte deixou de entreter para doutrinar. As produções audiovisuais tornaram-se púlpitos ideológicos, moldando consciências com mensagens que colidem frontalmente com os princípios eternos da Palavra de Deus. Entre essas produções está a aclamada série The Last of Us, baseada no famoso jogo homônimo. Aclamada por crítica e público, ela é, no entanto, uma sofisticada pregação anticristã, travestida de drama humano e sobrevivência.

Este artigo não tem o objetivo de apenas “advertir”. Seu propósito é desmascarar. O que está por trás de The Last of Us é uma teologia sombria, um conjunto de doutrinas de demônios (1Tm 4:1), uma inversão do evangelho de Cristo, feita com estética envolvente, música comovente e roteiro sedutor. Por isso, vamos apresentar aqui 7 erros graves, sete pecados estruturais, que fazem dessa série incompatível com a fé cristã verdadeira.

1. Idolatria dos sentimentos: o coração acima da verdade

Toda a série gira em torno do que Joel sente. Ele mata, mente e destrói não por obediência a princípios, mas por obediência a seu coração. O problema? A Bíblia declara: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jeremias 17:9).

Joel salva Ellie não porque é o certo, mas porque ele não suportaria perdê-la. Ele sacrifica o futuro da humanidade em nome de um amor egoísta. Isso é o anticristo do altruísmo bíblico. Cristo sacrificou a Si mesmo para salvar os outros. Joel sacrifica o mundo para não sofrer mais.

2. Amor sem arrependimento: uma nova graça barata

O suposto “amor” retratado em The Last of Us não se submete à verdade, à justiça nem à santidade. É um amor permissivo, tolerante com o mal, que nunca se arrepende e nunca pede perdão. Isso é graça barata no seu pior formato, aquilo que Dietrich Bonhoeffer denunciou: “a pregação do perdão sem arrependimento, do batismo sem disciplina, da ceia sem confissão”.

Na Bíblia, amor e santidade caminham juntos (João 14:15). Em The Last of Us, o amor é o argumento para justificar qualquer pecado, inclusive o assassinato de inocentes.

3. Sexualidade invertida: a celebração do pecado como virtude

O episódio dedicado ao romance homossexual entre Bill e Frank é mais do que “representatividade”. É liturgia. É culto. O episódio é estruturado como uma parábola: o amor gay é apresentado como redentor, salvador, puro, enquanto tudo ao redor é destruição e morte. Esse amor, pecaminoso segundo a Bíblia, é a única coisa “boa” que resta no mundo.

O que Paulo descreve como “vergonha” (Romanos 1:26-27), a série transforma em “redenção”. Trata-se da glorificação do que Deus condena. Um verdadeiro púlpito pagão.

4. Relativismo moral: não existe certo e errado

A série não possui qualquer referencial ético fixo. Cada personagem age de acordo com sua dor, seus traumas ou seus instintos. Os bons matam. Os maus justificam-se. Os inocentes são dispensáveis. E todos estão certos à sua maneira.

Esse relativismo é uma negação direta dos Dez Mandamentos. O “Não matarás” é ignorado. O “Não dirás falso testemunho” é ridicularizado. Em vez de justiça, temos sobrevivência. Em vez de princípios, temos pragmatismo brutal.

5. Ausência de Deus: um mundo onde só o ser humano reina

Deus é banido da narrativa. Nenhum personagem ora. Nenhum clama por socorro divino. Nenhuma esperança aponta para além da sepultura. É um mundo sem altar, sem Bíblia, sem Cristo.

A sociologia de Emile Durkheim ensina que toda sociedade estrutura-se sobre valores sagrados. A série propõe uma sociedade construída sem o sagrado, substituindo Deus pelo instinto de sobrevivência. Isso é ateísmo narrativo militante. E não se engane: onde não há Deus, reina o diabo.

6. Glorificação da vingança: a justiça nas mãos do ódio

A segunda parte do jogo (e que estará na segunda temporada da série) gira em torno da vingança. Ellie se torna uma máquina de matar, dominada pela dor e pelo ódio, destruindo tudo à sua volta. A violência não é uma consequência do mal, mas uma ferramenta legítima de catarse.

É a teologia de Caim, não a de Cristo. Enquanto Jesus ensina: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44), The Last of Us diz: “Destrua quem te feriu”.

7. A redenção pelo trauma: uma salvação sem cruz

Em The Last of Us, ninguém é salvo. Mas, se há alguma forma de “redenção”, ela vem pelo sofrimento. Os personagens não mudam pela graça, mas pela dor. Quanto mais traumático for o passado, mais digno o personagem parece.

Isso é gnosticismo emocional, a ideia de que o sofrimento gera iluminação. Uma mentira espiritual que substitui a cruz de Cristo por experiências pessoais. Na Bíblia, a redenção vem pela fé, não pelo trauma (Efésios 2:8-9).


Conclusão

A arte como campo de batalha espiritual…

The Last of Us é uma das obras mais bem produzidas dos últimos tempos. Mas é também uma das mais perigosas. Sua narrativa é teologicamente distorcida, filosoficamente perversa e sociologicamente corrosiva. Ela inverte os valores de Deus com sofisticação. Ela não quer apenas entreter — ela quer discipular. Quer moldar mentalidades, naturalizar pecados e destruir fundamentos da fé.

Como cristãos, não podemos ser cúmplices. Não é uma questão de gosto, é uma questão de fidelidade. O Senhor Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim” (Lucas 11:23). E a verdade é que The Last of Us é contra Ele.

Portanto, não assista. Não consuma. Não compartilhe. Denuncie. Ensine. Proteja sua mente, sua casa, seus filhos. E lembre-se: em um mundo que celebra o pecado com excelência artística, a santidade parecerá ofensiva — mas é o único caminho para a vida eterna.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente” (Romanos 12:2).


*Julio Cesar Ribeiro é pastor e professor. Possui graduação em Teologia, Especialização em Teologia Bíblica, Mestrado em Teologia Bíblica, Mestrado em Teologia Cristã e atualmente cursa programa de Doutorado em Teologia Bíblica.

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