Daniel, José e as Eleições: Por Que Seus Exemplos Não Justificam a Candidatura de Cristãos?
Os casos de Daniel e José são frequentemente mencionados como exemplos de pessoas piedosas que ocupavam cargos de grande influência em governos estrangeiros. No entanto, há diferenças fundamentais entre a experiência deles e o cenário de um cristão se colocar como candidato nas eleições políticas atuais, que podem servir como base para não usar esses exemplos diretamente para defender a candidatura de um cristão. Aqui estão algumas considerações:
- Chamado e Providência Divina: Daniel e José não buscaram intencionalmente posições de poder. Ambos foram colocados em suas respectivas posições por providência divina. José foi vendido como escravo e, através de uma série de eventos sob a mão de Deus, acabou no Egito, interpretando sonhos e, por fim, se tornando o segundo no comando. Daniel foi exilado para a Babilônia e, por seu caráter fiel e habilidades concedidas por Deus, foi elevado a uma posição de poder. Eles não se candidatavam a cargos, nem faziam campanhas políticas, mas suas posições eram claramente parte do plano de Deus para eles e para o povo de Deus.
- Missão Específica: Tanto José quanto Daniel tinham missões específicas que transcendiam o governo humano. José foi colocado para preservar a vida de seu povo em tempos de fome, e Daniel para servir como testemunha fiel de Deus em um império pagão. O objetivo central das vidas deles era a preservação e a prosperidade do povo de Deus e a manifestação do poder de Deus entre as nações pagãs, não a promoção de um governo ideal ou sistema político.
- Contexto Teocrático vs. Democrático: O contexto político em que Daniel e José atuaram era completamente diferente do cenário atual. Ambos serviam em monarquias absolutas pagãs, e a forma como exerceram influência não envolvia os processos democráticos ou eleitorais que conhecemos hoje. Eles não estavam envolvidos em um sistema que depende de alianças políticas, compromissos e campanhas. O sistema democrático moderno frequentemente exige que candidatos façam concessões e compromissos, algo que poderia colocar em risco a integridade moral e espiritual de um cristão que busca ser fiel aos princípios bíblicos.
- Separação entre Igreja e Estado: A fé cristã adventista defende a separação entre Igreja e Estado. A Bíblia nos ensina que o Reino de Deus não é deste mundo (João 18:36). Quando um cristão se envolve na política partidária, ele pode enfrentar desafios que exigem compromissos éticos e morais que podem entrar em conflito com os princípios do evangelho. Daniel e José, embora tenham influenciado o governo, não faziam parte de um sistema onde religião e política estivessem tão entrelaçadas como vemos hoje.
- Exemplo de Cristo e dos Apóstolos: Quando olhamos para o Novo Testamento, não vemos Jesus ou os apóstolos buscando cargos políticos ou incentivando os cristãos a fazê-lo. Pelo contrário, Jesus disse que Seu reino não era deste mundo e que os seguidores d’Ele deviam focar na missão espiritual e não em influências políticas.
Portanto, usar os exemplos de Daniel e José para defender a candidatura de cristãos às eleições modernas não leva em consideração as diferenças de contexto, objetivo, e os riscos éticos envolvidos. Embora Daniel e José tenham sido fiéis em seus papéis governamentais, a situação deles foi única, providenciada por Deus para um propósito específico. Hoje, a missão principal dos cristãos é o testemunho do evangelho, e isso pode ser comprometido no ambiente político atual.

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